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Como combater as pragas - Parte 2 - 8/2/2010
Quem melhor explica a lógica da prevenção no controle de pragas é a bióloga especializada em saúde pública Lucy Ramos Figueiredo, diretora técnica da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (ABCVP). “A gente tem a impressão de as pragas aparecerem só no verão, mas elas ocorrem o ano inteiro. No verão tem mais porque se reproduzem, pois os ciclos evolutivos dos insetos são mais curtos no calor. Um mosquito, por exemplo, que no inverno leva 12 dias para completar o ciclo de ovo a indivíduo adulto, no verão faz isso em até seis dias e aí temos mais gerações e abundância do inseto. Por isso o certo é prevenir. Quando há menos pragas o combate é mais fácil e o custo é menor”, diz Lucy, que sugere a adoção coordenada de medidas higienizadoras, de manejo ambiental e preventivas, como vedar frestas, manter o ambiente limpo, não acumular objetos em desuso, não deixar água parada ou acumular lixo.
Segundo a bióloga, quando se percebe a presença de pragas urbanas em fase inicial, indivíduos isolados e pequenos focos, pode-se, sim, lançar mão de medidas paliativas, como os inseticidas e os repelentes. “O inseticida de supermercado adianta se houver um rato ou dois. Temos também os repelentes tópicos, de passar na pele, e os ambientais, como aqueles de tomada elétrica recarregáveis ou mesmo a vela de citronela, natural, que são eficientes apenas em uma área de proteção limitada. São produtos inseticidas de baixa concentração, que não chegam a matar a praga, só repelem. Mas quando a situação é crítica, a infestação causa desconforto, não é uma barata que se consegue matar com chinelo, tem de chamar uma empresa especializada”, diz Lucy que, entretanto, faz um alerta: é preciso ter muito cuidado na hora de contratar uma empresa de combate a pragas e evitar o que ela chama de “Zé Bombinha”. “A empresa tem de ser regularizada pelo órgão de saúde ambiental, a vigilância sanitária, porque lida com produtos químicos concentrados e tóxicos. Há muitos profissionais autônomos que não estão estruturados ou treinados devidamente para aplicar corretamente e com segurança esses produtos, usam pesticidas agrícolas e não orientam sobre medidas preventivas”, diz.
Médico veterinário e autoridade sanitária da coordenadoria de vigilância sanitária de Minas Gerais na região de Belo Horizonte, Fábio Remi concorda com a bióloga Lucy Figueiredo. Segundo ele, o assunto é previsto em lei. “A empresa de controle de pragas tem de ser especializada e cumprir legislação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que exige o devido alvará para fiscalização”, afirma Remi, destacando ainda que o combate às pragas deve ser feito através de um controle integrado e observando-se as características de cada região. “Em Minas Gerais estamos no auge da infestação do mosquito da dengue, sendo que o escorpião é também um problema sério em Belo Horizonte”, exemplifica.
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