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Cupim

As espécies de cupins consideradas como pragas no meio urbano podem ser divididas em duas categorias: os de madeira seca e os de ninho subterrâneo. Os de madeira seca são mais fáceis de ser controlados e são rapidamente detectados devido à exposição de seus grânulos fecais junto à peça onde habita e alimenta. Mas mesmo assim possuem um potencial de danificar peças de grande valor ou, até mesmo, insubstituíveis como uma obra de arte em madeira.

O comportamento mais discreto dos cupins de ninho subterrâneo os torna mais perigosos, com colônias altamente organizadas e incansáveis. Eles atacam edificações com ninhos ocultos no íntimo da estrutura, solo ou nas peças atacadas. Sabe-se que o uso de madeiras naturalmente resistentes ou adequadamente tratadas, não determinará uma barreira ao ataque de cupins subterrâneos a outros materiais presentes na edificação, como livros e documentos estocados, tecidos e outros materiais que contenham celulose em sua constituição. A detecção da infestação destas espécies de cupins pode ser tarde demais, por isso o tratamento preventivo é de fundamental importância e eficiência.

Cupim, térmite ou térmita?

Você sabia que esses termos são sinônimos e que a maioria dos cupins é útil e poucas espécies são daninhas? Isso está ligado aos seus hábitos em geral, incluindo a alimentação e a maneira como interagem com o ambiente, principalmente sua atividade construtora. Cupins da fauna nativa realizam duas tarefas importantes:

1)  degradam um grande volume de material lenhoso, representado por troncos e raízes, incorporando-o à dinâmica de ciclagem de nutrientes dos ecossistemas;

2) exercem uma poderosa ação restauradora do solo, responsável pela manutenção da sanidade e pela recuperação de solos degradados.

Resumindo, o cupim é um inseto ecologicamente importante. E essa importância é mais notável se considerarmos a grande variedade de animais, de diferentes grupos zoológicos, que se alimentam de cupins, ou que utilizam os cupinzeiros como abrigo ou morada.

Há muitos mitos no tema das pragas. Em áreas urbanas, muitas vezes o problema não é o cupim, mas outras condições, que deterioram o bem que desejamos proteger, favorecendo a presença do cupim, mas ele é incriminado e considerado o único responsável pelo problema. Também, muitas vezes o cupim é acusado pelo dano, simplesmente por estar lá; afinal, “se é cupim é bicho ruim, não é?”. A literatura contém muitos erros e o contingente de pragas verdadeiras é menor.

Três medidas simples que deveríamos adotar se quisermos evitar problemas com cupins em centros urbanos:

A fórmula é conhecer para prevenir, assim como para resolver. Isso não é tão difícil, a saber:

  • Não facilitar a vida do cupim, evitando condições que sejam propícias à sua existência ou convivência conosco: reduzir a umidade; ventilar os espaços da edificação; não vedar aberturas estruturais de ventilação nas edificações antigas; abrir cavidades, para ventilar e facilitar a inspeção; conhecer a estrutura edificada; não implantar árvores, especialmente de grande porte, próximo às paredes (o ideal é que fiquem a mais de 5m);
  • Saber identificar ou suspeitar dos sinais discretos que denunciam a atividade do cupim;
  • Antes de realizar qualquer intervenção de controle, realizar um bom diagnóstico do problema, para depois agir corretamente, controlando a infestação e eliminando os fatores que a favorecem.

Realizar ações de controle, antes de um bom diagnóstico, pode causar mais danos que o próprio cupim. Dois erros são muito comuns. Um é agir intempestivamente, sem realizar o diagnóstico. As pessoas se assustam com a infestação, não imaginam que o cupim está lá há muito tempo e querem resolver tudo imediatamente. Isto resulta em tratamentos subdimensionados, que podem fazer a infestação se aprofundar na estrutura e se alastrar ainda mais, ou tratamentos superdimensionados, com custo exagerado e transtornos desnecessários. Outro erro que decorre da falta de diagnóstico e resulta em recidiva do cupim, é tratar apenas o problema biológico, ou seja, eliminar a infestação, mas deixar presentes os fatores que a favorecem.

Matéria extraída da entrevista cedida pelo zoólogo Luiz Roberto Fontes, ao Observatório da Imprensa em 04 de março de 2014, e da Revista Vetores e Pragas.

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